Finanças em linguagem humana. / Diversificação

Risco

Diversificação

Estratégia de distribuir recursos entre ativos cujos retornos não se movem de forma perfeitamente correlacionada, com o objetivo de reduzir a variabilidade do resultado agregado da carteira em relação à soma das variabilidades de cada ativo isolado.

O que é

Do ponto de vista estatístico, a variância de uma carteira composta por mais de um ativo depende não só da variância de cada ativo individual, mas também da correlação entre os retornos desses ativos. Quando essa correlação é menor que 1 — ou seja, os ativos não sobem e descem sempre juntos, na mesma proporção — a variância combinada da carteira tende a ficar abaixo da média ponderada das variâncias individuais. Esse efeito é aritmético, decorrente da forma como variâncias e covariâncias se somam numa combinação de ativos, e não depende de nenhuma previsão sobre o desempenho futuro de nenhum ativo específico. A diversificação atua sobre a parcela do risco chamada de não sistemática (ou idiossincrática) — aquela ligada a um emissor, setor ou fator específico — e não sobre o risco sistemático, que afeta o mercado como um todo e não se reduz por combinação de ativos.

Como interpretar

A diversificação é uma ferramenta estatística de gestão da variabilidade de resultado, não uma garantia de resultado positivo nem uma eliminação de risco: mesmo uma carteira amplamente diversificada permanece exposta ao risco sistemático e pode registrar perdas em cenários que afetam o mercado como um todo. O grau de redução de variabilidade obtido depende da correlação real entre os ativos combinados, que pode mudar ao longo do tempo e, em episódios de estresse de mercado, tende a subir entre ativos que normalmente têm correlação baixa.

Exemplo prático

Situação HIPOTÉTICA para ilustrar o mecanismo: um ativo A tem desvio-padrão de retorno de 20% ao ano e um ativo B tem desvio-padrão de 20% ao ano. Se A e B tivessem correlação perfeita (+1), uma carteira com metade em cada um teria desvio-padrão também de 20%. Se a correlação entre A e B fosse 0 (nenhuma relação linear entre os movimentos), o desvio-padrão dessa mesma carteira 50/50 cairia para cerca de 14,1% — abaixo da média simples dos dois desvios-padrão individuais, só por efeito da combinação estatística, não porque os ativos, isoladamente, tenham mudado de risco. Números ilustrativos, sem correspondência com nenhum ativo real.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

Combinar um número grande de ativos não garante diversificação efetiva se esses ativos tiverem correlação alta entre si (por exemplo, várias ações do mesmo setor, ou vários fundos que replicam estratégias parecidas) — o número de ativos, isoladamente, não é a medida do efeito. Correlações estimadas a partir de dados históricos também não são fixas: podem se alterar de um período para outro, especialmente em crises, quando ativos historicamente pouco correlacionados às vezes caem em conjunto.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

Voltar ao glossário