Finanças em linguagem humana. / Efeito Tesoura (Modelo Fleuriet)

Liquidez

Efeito Tesoura (Modelo Fleuriet)

No Modelo Fleuriet de análise financeira, padrão de trajetória em que a Necessidade de Capital de Giro (NCG) cresce, ao longo de vários períodos, de forma persistentemente mais rápida que o Capital de Giro (CDG) — fazendo o Saldo de Tesouraria (a diferença entre os dois) ficar cada vez mais negativo.

O que é

O Modelo Fleuriet relaciona três indicadores já descritos em verbetes próprios deste glossário: Capital de Giro (CDG, Ativo Circulante − Passivo Circulante), Necessidade de Capital de Giro (NCG, a versão do CDG reclassificada só com contas operacionais/cíclicas) e Saldo de Tesouraria (T, a versão do CDG reclassificada só com contas financeiras/erráticas) — teoricamente, T = CDG − NCG. O "efeito tesoura" é o nome dado, na literatura de análise financeira, ao padrão observado quando, período após período, a NCG cresce a uma taxa persistentemente maior que o CDG: como T é a diferença entre os dois, essa diferença de ritmo de crescimento faz o Saldo de Tesouraria ficar cada vez mais negativo ao longo do tempo. O nome vem da forma visual do gráfico: plotando as curvas de CDG e NCG ao longo de vários períodos, elas se abrem como as duas lâminas de uma tesoura, com a NCG subindo mais rápido que o CDG. É, por definição, um padrão que só pode ser observado numa série de VÁRIOS períodos — um único balanço não permite dizer se a NCG está crescendo mais rápido que o CDG, só o valor de cada um naquela data. O Lume Educa NÃO calcula nenhum dos três indicadores para nenhum ativo hoje, e a cobertura histórica de vários balanços ainda não existe pra generalidade do catálogo (a PETR4, por exemplo, tem só um balanço completo hoje) — não há como demonstrar esse padrão com dado real dessa empresa, nem calcular seus componentes.

Fórmula

Não é uma fórmula de um único cálculo, e sim um padrão de trajetória entre três indicadores já definidos em verbetes próprios: Saldo de Tesouraria (T) = Capital de Giro (CDG) − Necessidade de Capital de Giro (NCG), observado em VÁRIOS períodos consecutivos. O "efeito tesoura" descreve a situação em que a taxa de crescimento da NCG supera, de forma persistente ao longo dessa série, a taxa de crescimento do CDG — o que faz T ficar cada vez mais negativo. O Lume Educa não calcula nenhum dos três indicadores, e a cobertura histórica de vários balanços por ativo ainda não existe pra generalidade do catálogo (a PETR4, por exemplo, tem só um balanço completo hoje), o que impede observar esse padrão com dado real dessa empresa.

Como interpretar

O efeito tesoura é uma descrição estrutural/matemática de uma trajetória relativa entre dois indicadores já definidos (NCG e CDG), não um diagnóstico pronto sobre a situação de uma empresa: dizer que "há efeito tesoura" equivale a dizer "nos períodos observados, a NCG cresceu mais rápido que o CDG, e por isso o Saldo de Tesouraria ficou cada vez mais negativo" — uma constatação sobre a forma dos números ao longo do tempo, não uma conclusão isolada sobre a capacidade da empresa de honrar compromissos. Entender POR QUE a NCG cresceu mais rápido (por exemplo, crescimento acelerado de receita exigindo mais capital de giro operacional proporcionalmente maior do que o CDG conseguiu acompanhar, entre outras causas possíveis) exige olhar a composição de cada indicador ao longo da série, não só a existência do padrão.

Exemplo prático

Sem dado real da PETR4 para ilustrar (só um balanço completo hoje, e o padrão exige uma série de vários períodos, ver explicação). Exemplo HIPOTÉTICO, de uma empresa fictícia em três exercícios seguidos: CDG de R$ 100 milhões, depois R$ 110 milhões, depois R$ 118 milhões (crescimento mais lento); NCG de R$ 90 milhões, depois R$ 115 milhões, depois R$ 150 milhões (crescimento mais rápido). Saldo de Tesouraria (T = CDG − NCG) nos três exercícios: +R$ 10 milhões, depois − R$ 5 milhões, depois − R$ 32 milhões. Nessa série fictícia, a NCG cresceu de forma persistentemente mais rápida que o CDG, e o Saldo de Tesouraria passou de positivo a cada vez mais negativo — a trajetória que a literatura de análise financeira chama de efeito tesoura. O exemplo descreve só a forma matemática do padrão; não indica, por si só, se essa empresa fictícia está em dificuldade ou em expansão acelerada.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

O nome popular "efeito tesoura" soa como um veredito de crise ou de risco iminente de insolvência — mas descreve só uma relação de ritmos de crescimento entre dois indicadores contábeis ao longo de uma série de períodos; o mesmo padrão numérico pode aparecer tanto numa empresa em dificuldade quanto numa empresa em expansão acelerada, cujo crescimento de receita exige mais capital de giro operacional do que ela ainda levantou em capital de giro total — o padrão, sozinho, não distingue essas situações. Também herda as limitações de NCG e Saldo de Tesouraria: a classificação de cada conta do circulante como "operacional" ou "financeira" é uma escolha do analista, não uma regra fixa do plano de contas padronizado da CVM (ver verbetes NCG e Saldo de Tesouraria), então duas pessoas usando classificações diferentes podem enxergar (ou não) o mesmo padrão na mesma série de balanços. Por fim, é um padrão que só existe numa série de VÁRIOS períodos — um único balanço nunca é suficiente para afirmar sua presença.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

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