Finanças em linguagem humana. / Follow-on (Oferta Subsequente de Ações)

Governança e Estrutura Societária

Follow-on (Oferta Subsequente de Ações)

Nova oferta pública de ações feita por uma companhia que JÁ tem ações listadas em bolsa (depois do IPO) — pode ser primária (novas ações, dinheiro entra no caixa da empresa), secundária (ações de acionistas existentes, dinheiro vai para os vendedores) ou uma combinação das duas.

O que é

Regulado pela CVM — atualmente pela Resolução CVM 160/2022, que reorganizou regras de ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários antes tratadas em normas como a Instrução CVM 400 — o follow-on segue um rito de registro (ou dispensa de registro, conforme o público-alvo) e divulgação de prospecto de forma análoga ao IPO, mas para uma empresa que já é companhia aberta e já tem histórico de negociação em bolsa. Numa oferta PRIMÁRIA, a companhia emite ações novas e capta recursos que entram no seu caixa — pode diluir a participação percentual dos acionistas existentes que não acompanharem a oferta. O direito de preferência do art. 171 da Lei 6.404/1976 (ver verbete Subscrição) pode ser excluído ou ter seu prazo reduzido pelo estatuto ou pela assembleia, nas hipóteses do art. 172 (como emissões via subscrição pública ou permuta de ações em oferta pública de aquisição de controle) — nesses casos, a oferta costuma prever, em vez disso, um direito de PRIORIDADE, que não é o mesmo instituto legal do direito de preferência. Aumenta o patrimônio líquido da empresa. Numa oferta SECUNDÁRIA, acionistas já existentes (fundadores, fundos, o próprio governo em estatais etc.) vendem ações que já possuíam — não há diluição societária nem entrada de caixa novo na empresa, só uma mudança de quem é dono das ações. O Lume Educa não coleta ofertas públicas (primárias, secundárias, IPO ou follow-on) de nenhuma empresa hoje; o histórico de emissões de capital de uma companhia não está no cadastro do ativo.

Fórmula

Não há fórmula — é um tipo de operação de mercado de capitais. O valor captado numa oferta primária = número de ações novas emitidas × preço de emissão definido no processo de bookbuilding (ou fixo, conforme o rito da oferta); numa oferta secundária, o valor total da venda = número de ações ofertadas pelos vendedores × preço de venda, sem relação com o caixa da companhia.

Como interpretar

O efeito de um follow-on sobre o preço da ação no curto prazo depende muito do tipo de oferta e do uso dos recursos: um follow-on primário anunciado para financiar uma aquisição ou expansão específica costuma ser recebido de forma diferente de um anunciado só para reforçar caixa numa empresa com dificuldades financeiras — e um follow-on secundário de um acionista relevante "vendendo posição" pode ser lido pelo mercado como sinal (nem sempre correto) sobre a visão desse acionista para a empresa.

Exemplo prático

Não há dado de nenhuma oferta real coletado pelo Lume Educa hoje. Exemplo HIPOTÉTICO para ilustrar a diferença entre as modalidades: uma companhia fictícia já listada anuncia um follow-on de 100 milhões de ações a R$ 20,00 cada (R$ 2 bilhões no total), sendo 60 milhões de ações NOVAS (primária, R$ 1,2 bilhão entrando no caixa da empresa) e 40 milhões de ações de um acionista fundador vendendo parte da sua posição (secundária, R$ 800 milhões indo direto para o fundador, não para a empresa). Do ponto de vista da empresa, só a parcela primária muda o patrimônio líquido e o caixa dela — a parcela secundária é, para a companhia, apenas uma mudança na base acionária.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

Nem toda oferta subsequente dilui o acionista existente — se for 100% secundária, não há emissão de ações novas, logo não há diluição societária. Confundir follow-on primário com secundário é um erro comum: o prospecto da oferta sempre discrimina a proporção entre as duas modalidades, mas essa informação costuma passar despercebida nas manchetes, que às vezes só anunciam "a empresa X vai captar R$ Y milhões" sem esclarecer se é capital novo para a empresa ou dinheiro só para o acionista vendedor.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

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