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Fundos de Crédito Privado

Designação de fundo (tipicamente de renda fixa, mas também podendo ser classe Multimercado ou Cambial) cuja carteira é composta majoritariamente por títulos de dívida de emissores privados, como debêntures, CRI, CRA e CDBs, em vez de títulos públicos federais.

O que é

Fundos de crédito privado concentram a carteira em títulos emitidos por empresas e instituições financeiras — entre os mais comuns estão debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificados de Depósito Bancário (CDB) — em contraposição a fundos cuja carteira é concentrada em títulos públicos federais emitidos pelo Tesouro Nacional. A diferença estrutural entre as duas carteiras está na natureza do emissor de cada título: no título público, a obrigação é do Tesouro Nacional; nos títulos que compõem um fundo de crédito privado, a obrigação de pagamento é de uma empresa ou instituição financeira específica, o que é tecnicamente chamado de risco de crédito do emissor. Embora a maioria dos fundos de crédito privado seja classificada como fundo de renda fixa, a designação 'crédito privado' também se aplica, pela Resolução CVM 175 (Anexo Normativo I, art. 70), a fundos classificados como Multimercado ou Cambial cuja exposição a ativos de crédito privado, nos critérios definidos pela norma, exceda 50% do patrimônio líquido — nesses casos, o sufixo 'crédito privado' é adicionado ao nome do fundo mesmo fora da classe de renda fixa. Fundos de crédito privado classificados como renda fixa ou multimercado, em regra, estão sujeitos ao come-cotas semestral (maio e novembro), pela alíquota mínima da tabela regressiva aplicável à classificação tributária do fundo (ver verbete Fundos Multimercado), da mesma forma que outros fundos de renda fixa ou multimercado com carteira em títulos públicos.

Como interpretar

Ao analisar um fundo de crédito privado, os pontos técnicos de composição costumam incluir: o rating de crédito atribuído por agências classificadoras aos títulos da carteira, o nível de concentração por emissor ou setor, a existência de garantias associadas aos títulos e o prazo médio da carteira. Esses elementos descrevem a estrutura do fundo; eles não substituem a leitura do regulamento e da lâmina de cada fundo específico.

Exemplo prático

Exemplo hipotético: um fundo de crédito privado tem 60% da carteira em debêntures de empresas de diferentes setores, 25% em CRI e CRA e 15% em CDBs de bancos médios. Cada um desses títulos tem como devedor a empresa ou instituição financeira emissora, e não o Tesouro Nacional — a análise de risco de crédito desse fundo envolve olhar o rating e a concentração por emissor dentro dessa carteira.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

Um erro comum é supor que rentabilidade histórica mais alta em relação a fundos de títulos públicos decorre apenas de melhor gestão, sem considerar que a carteira carrega um tipo de risco adicional (o risco de crédito do emissor) que não está presente, ou está presente em grau distinto, em uma carteira de títulos públicos federais. Outro ponto de confusão é misturar risco de crédito com risco de mercado (marcação a mercado por oscilação de preço/taxa) — são fontes de variação diferentes na cota do fundo.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

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