Finanças em linguagem humana. / Lucro por Ação Diluído (LPA Diluído)
Por ação ou cotaVersão do LPA (ver verbete) que assume a conversão de instrumentos potencialmente dilutivos — como opções de ações e debêntures conversíveis — em ações, antes de dividir o lucro pela quantidade de ações.
O LPA básico (ver verbete de LPA) usa a quantidade média ponderada de ações EM CIRCULAÇÃO no período. O LPA diluído usa uma quantidade de ações AMPLIADA, somando o efeito da conversão hipotética apenas dos instrumentos com efeito DILUIDOR (o CPC 41 exige excluir instrumentos antidilutivos — aqueles cuja inclusão aumentaria o lucro por ação em vez de reduzi-lo) — opções de compra de ações concedidas a executivos, bônus de subscrição, debêntures conversíveis em ações, entre outros. Cada tipo de instrumento segue um método próprio de apuração: opções e bônus de subscrição, por exemplo, normalmente usam o método das ações em tesouraria (que considera o efeito de recompra hipotética de ações com o produto do exercício), não uma simples soma de todas as ações potenciais. Com o mesmo lucro no numerador e mais ações no denominador, o LPA diluído é sempre menor ou igual ao LPA básico da mesma empresa e período, nunca maior. No Brasil, o CPC 41 (norma equivalente ao IAS 33 internacional) exige que companhias com potencial dilutivo relevante divulguem os dois valores lado a lado na DRE. O Lume Educa não distingue LPA diluído de LPA básico: para ações brasileiras exibimos o lucro por ação informado pela fonte de cotação, e para ações americanas o lucro por ação da fonte correspondente. Nenhuma das fontes identifica explicitamente se o valor é o básico ou o diluído, nem traz o outro valor em paralelo (a mesma ambiguidade já registrada no verbete de LPA). Uma ressalva de dado: em alguns casos, o valor de lucro por ação que aparece na demonstração financeira completa da empresa está numa escala que não bate com o lucro por ação corrente da fonte de cotação. Enquanto essa inconsistência não for resolvida, o Lume Educa prefere não usar esse valor específico — por isso o exemplo abaixo é hipotético.
LPA Diluído = Lucro líquido atribuível aos acionistas ordinários (ajustado por juros ou dividendos de instrumentos conversíveis, quando aplicável) ÷ quantidade média ponderada de ações em circulação AJUSTADA pela conversão hipotética dos instrumentos com efeito diluidor em aberto no período, cada um apurado pelo método exigido para o seu tipo (instrumentos antidilutivos são excluídos da conta). O Lume Educa não calcula nem coleta esse valor separadamente para nenhum ativo hoje.
A diferença entre LPA básico e diluído sinaliza o tamanho do potencial dilutivo em aberto de uma empresa — quanto mais planos de opções, bônus de subscrição ou dívida conversível não exercidos, maior a diferença entre os dois. Isso não é, por si só, um indicador de qualidade da empresa, só do possível efeito desses instrumentos sobre a quantidade de ações e o lucro por ação — o exercício de opções e bônus de subscrição, em particular, costuma envolver pagamento e entrada de caixa; nem toda conversão dilutiva ocorre sem entrada de capital novo.
Como o Lume Educa não coleta LPA diluído separadamente do LPA básico para nenhum ativo (e a única fonte real disponível — a demonstração completa — tem um problema de escala conhecido nessa conta específica, ver explicação longa), o exemplo abaixo é totalmente hipotético: Empresa hipotética com lucro líquido atribuível de R$ 100 milhões no ano, 40 milhões de ações ordinárias em circulação (LPA básico = 100 ÷ 40 = R$ 2,50) e outras 5 milhões de ações potenciais se todas as opções de compra concedidas a executivos fossem exercidas: LPA diluído = 100 ÷ (40 + 5) = R$ 2,22. Ou seja, se todo o potencial dilutivo em aberto virasse ação amanhã, o lucro por ação cairia de R$ 2,50 para R$ 2,22 nessa empresa hipotética — sem nenhuma mudança no lucro total gerado, só na quantidade de ações que dividem esse lucro.
Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.
Usar o LPA básico para calcular o P/L (ver verbete) de uma empresa com potencial dilutivo relevante subestima o múltiplo que resultaria do LPA diluído. Comparar o LPA de uma fonte (que pode ser básico) com o LPA diluído publicado por outra fonte para a mesma empresa, sem confirmar qual variante cada uma está usando, produz uma comparação inconsistente — a mesma armadilha de ambiguidade de fonte já documentada no verbete de LPA, agravada aqui por existirem duas variantes possíveis.
Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.