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Criptomoedas

Mineração (Proof of Work)

Mecanismo de consenso em que participantes ("mineradores") competem resolvendo um problema computacional custoso pra validar um bloco de transações e receber uma recompensa em criptomoeda.

O que é

Proof of Work (prova de trabalho) é o mecanismo pelo qual uma rede de criptomoeda decide, sem autoridade central, qual é a versão válida do histórico de transações. Mineradores competem entre si pra encontrar um número (nonce) que, combinado com os dados do bloco, produz um resultado de hash com determinadas características. Encontrar esse número exige testar bilhões de combinações por segundo — não existe atalho matemático conhecido, só tentativa e erro em alta velocidade. O primeiro minerador a encontrar um nonce válido propaga o bloco pra rede, os demais participantes verificam que o resultado está correto (verificação é rápida e barata, mesmo o trabalho de encontrar o nonce sendo caro) e, se válido, esse bloco passa a compor a cadeia. Em troca do trabalho computacional, o minerador que encontrou o bloco recebe uma recompensa, composta por moedas recém-emitidas mais as taxas das transações incluídas naquele bloco. Proof of Work como técnica de custo computacional é anterior às criptomoedas (o próprio documento técnico do Bitcoin cita o sistema Hashcash como referência); o Bitcoin, lançado em 2009, foi a primeira criptomoeda descentralizada amplamente adotada a empregar esse mecanismo como parte do seu consenso, e segue sendo a rede Proof of Work mais conhecida.

Como interpretar

O ponto central do Proof of Work é que o custo do trabalho é proposital: a segurança da rede depende diretamente de esse trabalho ser caro de produzir e barato de verificar. Um agente que controlasse a maioria do hashrate (poder computacional) dedicado à rede naquele momento conseguiria produzir uma cadeia concorrente mais rapidamente, em expectativa, do que o restante da rede honesta — cenário chamado de "ataque de 51%" —, o que amplia bastante a capacidade de reorganizar transações recentes ou de censurá-las; isso não permite falsificar assinaturas nem violar as regras de validação do protocolo. Quanto maior e mais distribuído o hashrate total, maior o custo de hardware e energia necessário pra reunir essa maioria — a lógica de design declarada por trás do mecanismo.

Exemplo prático

Hipotético: um minerador opera um conjunto de equipamentos (ASICs) dedicados a calcular hashes pra rede Bitcoin. A cada bloco encontrado por qualquer participante da rede (em média a cada 10 minutos), um minerador recebe a recompensa vigente em bitcoins recém-emitidos mais as taxas das transações daquele bloco. Se o equipamento desse minerador representa uma fração pequena do hashrate total, a chance de ele encontrar o próximo bloco é proporcional a essa fração — por isso mineradores individuais costumam se juntar em "pools", dividindo a recompensa proporcionalmente ao poder computacional contribuído.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

Confundir "minerar" com simplesmente rodar um programa em qualquer computador: redes estabelecidas como o Bitcoin têm hashrate total tão alto que minerar de forma competitiva hoje exige hardware especializado (ASICs), não um computador doméstico comum. O consumo de energia elétrica do Proof of Work é uma característica real e mensurável do mecanismo — mais poder computacional dedicado à mineração consome eletricidade proporcional ao hardware em operação — sem que isso, por si só, indique se o mecanismo é adequado ou não a um uso específico. Também é comum confundir a recompensa de mineração com lucro garantido: o resultado depende do custo de eletricidade e hardware frente ao valor da recompensa recebida, e pode ser negativo.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

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