Finanças em linguagem humana. / Risco de Crédito Privado x Soberano

Renda fixa

Risco de Crédito Privado x Soberano

Distinção entre o risco de um governo (soberano) não honrar sua dívida e o risco de um emissor privado (banco ou empresa) não pagar suas obrigações — duas naturezas de risco de crédito com fontes e recursos de mitigação diferentes.

O que é

Risco de crédito SOBERANO é o risco de o governo de um país não honrar sua dívida (calote, reestruturação forçada, ou mesmo desvalorização monetária que corroa o valor real do pagamento em moeda local). No Brasil, a dívida pública federal é denominada em reais, a moeda emitida pelo Estado brasileiro através de sua autoridade monetária (o Banco Central — o Tesouro Nacional, órgão que emite os títulos, e o Banco Central, autoridade monetária, são instituições distintas, sujeitas a regras legais e operacionais próprias) — o que difere estruturalmente do risco de um emissor privado, que não tem relação nenhuma com quem emite a moeda; ainda assim, dívida soberana não é livre de risco de crédito em termos absolutos (a história econômica tem casos de reestruturação de dívida soberana em vários países), só costuma ser tratada, dentro de um mesmo país, como a referência de MENOR risco de crédito relativo pra instrumentos naquela moeda — é por isso que a taxa de um título do Tesouro Direto costuma servir de piso comparativo pra precificar o retorno exigido de um título privado de mesmo prazo (ver verbete Curva de Juros). Risco de crédito PRIVADO é o risco de um banco (CDB, LCI/LCA — ver verbetes) ou uma empresa (debênture — ver verbete) não pagar, cuja mitigação parcial mais comum no varejo é a cobertura do FGC (só pra produtos bancários cobertos, dentro de um limite — ver verbete FGC); debênture não tem essa rede de segurança. A remuneração de um título privado tende a embutir um PRÊMIO DE RISCO DE CRÉDITO acima do soberano de mesmo prazo e moeda — quanto maior o risco de crédito percebido do emissor privado, maior tende a ser esse prêmio exigido pelo mercado. O Lume Educa só tem, no catálogo de renda fixa, títulos do Tesouro Direto (risco soberano) — não coleta CDB, LCI/LCA nem taxa de mercado de debênture (risco privado), então não há como comparar diretamente um prêmio de risco de crédito real usando dado do próprio sistema.

Fórmula

Prêmio de risco de crédito (spread) = Taxa de retorno do título privado − Taxa de retorno de um título soberano de prazo e moeda equivalentes, no mesmo instante. Não é uma fórmula que o Lume Educa calcula — exigiria uma taxa real de produto privado (CDB, LCI/LCA, debênture) que o sistema não coleta no mercado primário/secundário (só o valor contábil de debêntures em aberto, quando existe, aparece na demonstração financeira completa — ver verbete Debênture).

Como interpretar

Uma taxa de retorno privada mais alta que a do Tesouro Direto de prazo equivalente não é, sozinha, uma vantagem gratuita — parte dela (às vezes toda ela) costuma ser o prêmio que o mercado exige pra aceitar o risco de crédito adicional daquele emissor específico, mesmo quando esse emissor está coberto pelo FGC dentro de um limite (o FGC reduz mas não elimina totalmente a fricção do risco, inclusive o risco de prazo do processo de acionamento).

Exemplo prático

Não há como montar esse spread com dado real de ambos os lados no Lume Educa — o sistema tem só o lado soberano (Tesouro Direto). Só pra ilustrar a mecânica, com números HIPOTÉTICOS: um CDB fictício de banco de porte médio prometendo 115% de um CDI hipotético equivalente a 12% ao ano renderia cerca de 13,8% ao ano nominal, contra uma taxa hipotética de Tesouro Selic (soberano) de aproximadamente 12% ao ano no mesmo período — um spread de cerca de 1,8 ponto percentual ao ano, que representaria, nesse cenário fictício, o prêmio de risco de crédito exigido pelo mercado pra aceitar o risco desse banco específico em vez do risco soberano.

Exemplo com dado real já coletado pelo Lume Educa — ilustra o cálculo, nunca uma recomendação sobre o ativo citado.

Armadilhas comuns

"Risco baixo" não é sinônimo de "risco zero", nem no soberano nem no privado — mesmo dívida soberana tem histórico de reestruturação em outros países, e cobertura do FGC tem limite (ver verbete FGC), não é ilimitada. Comparar taxas nominais de produtos com risco de crédito diferente (Tesouro Direto x CDB de banco pequeno, por exemplo) sem considerar essa diferença de risco é comparar coisas que não são equivalentes, mesmo que o número da taxa pareça mais atraente de um lado.

Este artigo explica um conceito de mercado e como o Lume Educa o calcula. Não é recomendação de compra ou venda de nenhum ativo.

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